sábado, 12 de dezembro de 2009

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O capítulo vinte e um de «Confissão de Um Viúvo de Cor Branca» é uma belíssima partitura de um poema sinfónico de amor, cheio de poesia.
Há uma melodia aguda em allegro no meu comportamento, nos movimentos de Lolita, um contra-ponto grave e soturno nos sentimentos de Humbert e uns acordes vívidos de scherzo nas aparições do cão, da bola, do banhista musculado que abandona e volta à piscina.
Era um homem inteligente o meu papá: ele viu em toda a exuberância, exultante e elástica sensualidade dos meus passos, saltos e corridinhas, a prova de uma novo amor na minha mente, conseguiu aperceber-se da diferença entre cálculo e medo nos meus olhos, ao olhar para ele, comparando-se ao terrier: «Quem poderá avaliar a mágoa que se causa a um cão ao abandonar uma brincadeira com ele.»
Sabia irremediavelmente que o seu caso comigo estava encerrado. Por mais cálices de gim que emborcasse não podia recuperar nada, nem merecer a minha misericórdia ou evitar a minha mudança para a nova paixão que me obcecava. A ideia do que pretendia e iria fazer, logo que a oportunidade surgisse, estava completamente delineada no meu pensamento. Era só uma questão de tempo a sua realização: o querido papá estava completamente deposto do trono do meu coração. Infeliz, neurótico e infantil Humbert Humbert.

Nota da editora:
Há, escrita por um aluno da Faculdade de Comunicação Social, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2002, Viktor Henrique Carneiro de Sousa Chagas, uma análise freudiana do comportamento de Humbert Humbert. Chama-se «O complexo de Lolita nos estudos de Freud» O ano passado ainda podia ser lida em http://contoaberto.org [AK-AK-KIM © 2005]
Noutras notas, sempre que necessário, nos referiremos a este e outros estudos consultados para corroborar a honestidade e isenção da autora, Dolores Haze, de seu pseudónimo.

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