sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Introito de cariz mais ou menos psico-social

Quando os psiquiatras e os psicólogos começaram a substituir os padres na sua meritória e gratuita acção de acompanharem, aconselharem e ouvirem em confissão os pobres mortais, logo se gerou um florescente negócio de taras, traumas, complexos, desvios, alterações comportamentais, hiperactividades, e outros, que muita inquietação e sofrimentos têm trazido aos humanos.

O padre ouvia, perguntava, mesmo sem querer, obrigava os pacientes a terem consciência ou reviverem as suas maleitas, tinha uma palavra de apoio, raramente de revolta desencorajadora, aconselhava, balbuciava palavras de esperança e despedia os homens, as mulheres e as crianças com um vai em paz, os teus pecados foram-te perdoados, que pacificavam as consciências e permitiam o fluir normal das vidas de cada um. Às vezes era exigido um pequeno sacrifício, uma penitência, nada que não se pudesse cumprir, e a pessoa regressava a casa novamente de bem consigo e com os outros.

Os homicidas, os ladrões, os adúlteros, os coléricos, os orgulhosos, os avaros e até os invejosos, podiam retomar a paz...

Agora, nenhum castigo consegue melhoria de comportamentos. Exige-se uma paga, um castigo, mas ninguém é convidado a ser melhor, a viver melhor.

Os miúdos faziam asneiras, partiam vidros, andavam à porrada, fugiam à escola, portavam-se mal mas sabiam que cada falta tinha a sua consequência e, quando faziam disparates, achavam normal e apresentavam-se aos castigos. Hoje não reconhecem a ninguém, nem aos pais, nem aos professores, nem aos mais velhos, nenhuma competência para os repreenderem ou aconselharem, salvo muito raras e honrosas excepções.

Havia fugas, havia experiências sexuais fugidias e às escondidas mas ninguém se lembrava de chamar a essas coisas depravação, muito menos pedofilia, quando apenas eram sentidas como experiências sexuais precoces.

Nada disto era negócio por isso era discreto. Hoje a publicidade e os dinheiros que se transaccionam em indemnizações, corrupções e outras acções publicitárias, tornaram estes assuntos, em que quase ninguém ouvia falar, em cabeçalhos de primeira página dos jornais ou temas de abertura de telejornais.

Se não houvesse a preocupação de fazer de cada rapaz ou rapariga mais precoce uma vitima, a sua vida decorreria sem sobressaltos e todos seriam cidadãos ou indivíduos satisfatoriamente integrados na sociedade.

Mas nós gostamos de estragar tudo.


Granier Vites

Veterinário social

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Capa

HISTÓRIA DE DOLORES HAZE, LOLITA, ESCRITA POR ELA PRÓPRIA.

COMEÇADA A ESCREVER NO QUINQUAGÉSIMO SÉTIMO ANIVERSÁRIO DA MORTE DE SEU PADRASTO, HUMBERT HUMBERT, EM 16 DE NOVEMBRO DE 2009.